sábado, 31 de dezembro de 2011

Ao som de violinos...


"Ótimo!" Pensou.
Olhou para trás mais uma vez. Não estava mais sendo seguido. Andou mais um pouco, desviando das crianças que passavam correndo com as mãos nos ouvidos, apoiou-se no muro que estava a sua frente.

A chuva fria molhava seus cabelos e seu rosto, camuflando as gotas salgadas que percorriam o mesmo caminho.
Droga! -, olhou para o alto.
As estrelas não estavam mais lá... Apenas pingos de gotas, que banhavam seu corpo...
Ahh, o som da chuva, a brisa gélida...
Sem conseguir se conter, olhou para trás mais uma vez. Havia um sorriso... Esticou os braços. É tão sincero.
Em meio ao gesto desesperado seu manto escorregou e, liso como era, seus dedos não o conteram.
Fogos!
Meia Noite!
Um coração vibrou abaixo de sua cintura.
Um sorriso perdido...
SUSTO!
Um abraço interrompido.
Uma pergunta inconveniente.
FIM!
Feliz Nao Novo, ... (Para os gregos e seus filhos)
Duas perguntas inconvenientes...
Frio... 






Postado por Victor Leandro às 01:22 , dia 1 de Janeiro de 2012

domingo, 28 de agosto de 2011

Ah! eu daria minha vida em troca da tua felicidade,
Ainda que nunca viesses a saber de nada,
Se alguma vez, de longe, me fosse possível ouvir 
Um riso feliz nascido do meu sacrifício!
- Cada olhar teu suscita uma nova
Virtude, uma nova audácia em mim! Agora
Começas a entender? será que te dás conta?
Percebes um pouco minha alma, neste escuro,
Se elevando?...Oh! mas esta noite, realmente,
É bela demais, por demais doce!
Digo-te tudo isso  e tu me ouves!
É demais! Mesmo em minha esperança menos modesta,
Jamais esperei tanto! E agora, só o que me resta
É morrer!...


(Cyrano de Bergerac - Fragmento)

domingo, 21 de agosto de 2011

Tributo a Ojesed


As ruas estavam quietas, era normal nessa época do ano, uma leve brisa soprava por entre casas, brisa esta que carregava consigo o frio que fazia todos aqueles ali presentes procurarem aconchego, tornando assim aquele ambiente o mais agradável que se podia ter.
Uma das casas chamava atenção em meio às outras. Estava ‘quente’.
A família toda estava reunida, todos sorriam, brincavam ou apenas conversavam, já haviam esquecido o motivo pelo qual se reuniram, a alegria passou a se manifestar por estarem um na presença do outro. Crianças corriam, entrando e saindo das portas abertas para a sala, onde dois sofás, ambos um pouco gastos, eram ocupados por adultos sentados que conversavam distraidamente. Mais a frente havia outro cômodo, mais amplo que a sala, a cozinha, com uma mesa larga e comprida em seu centro, capaz de abrigar doze pessoas confortavelmente. Mas não havia cadeiras. Estas estavam fora da casa, a porta que levava a saída da cozinha dirigia a um quintal cimentado onde se encontravam quase todos os presentes, envolvidos em uma sensação que só experimentavam ali, não se preocupavam, não perguntavam o porquê, não pensavam em problemas, nem no que aconteceria quando aquilo acabasse, apenas eram o que eram, sem se importarem com o que deveriam ser, estavam em casa.
Ao lado de uma pequena churrasqueira encontrava-se um homem velho, sorrindo, era o mais sábio de todos que estavam ali presentes. 
Alto e imponente, um murinho  de quase um metro e meio de altura envolvia a casa, feito de cimento e há muito tempo atrás, era a única proteção que tinham e a melhor proteção que poderiam ter. Este murinho cercava toda a casa, indo, depois de passar por todo quintal, em direção a uma larga sacada, conhecida como ‘área’, lá também havia pessoas. Como não era dividido o espaço do quintal e o da área alguns dos presentes se sentavam sobre o murinho e ali permaneciam.
A área devia ter uns dois metros de largura no seu início e quase três no fim, de comprimento uns dez, nela se localizava a porta que abria para a sala, onde as crianças ainda corriam. 
Pouco depois das portas havia duas pessoas que chamavam não atenção, quase camufladas na paisagem, estavam abraçadas. Acomodados nos braços um do outro, protegiam-se. Conversando por sussurros  diziam tudo o que precisavam, apenas o necessário. Confortáveis e protegidos, agradeciam ao frio, pois ele os forçara a isso, fazendo-os esquecer de tudo o que acontecia ao seu redor, não precisavam saber como haviam chegado ali nem  em quanto tempo sairiam, eles estavam ali, então apenas viviam, na mais sincera demonstração de carinho que o homem pode dar. Não podiam ser alcançados enquanto estivessem abraçados, mas nenhum dos dois achou necessário calcular a intensidade que aquele abraço teria em suas vidas. Até porque ele não teria fim.
 -- Até quando você vai ficar ai? – perguntou uma voz conhecida atrás de mim.
A cena se dissolveu, tudo findou, meu primeiro impulso foi o de gritar, mas logo foi sufocado pela consciência que aos poucos se retomava. Me encontrei ajoelhado de frente para ele em um salão amplo, quase vazio, o que o deixava mais amplo ainda, o teto era alto, quase sem fim, mal dava para ver as paredes. Que desperdício. Pensei.
- Você está bem? – perguntou novamente a voz.
- Há quanto tempo estou aqui? – virei. – Parece que acabei de chegar.
- Tenho te procurado há duas semanas. Não sei quando chegou aqui, mas não faz menos que isso.
- Foi mais tempo que a última vez. – disse – Estou regredindo.
- Da última vez eu não tive que te procurar, você veio a mim. Com certeza está regredindo, esqueceu-se de como agir. – Vamos embora, já ficamos aqui tempo demais.
- Tudo bem – me encaminhei para a saída. Dei uma última olhada para trás. Fixando meus olhos nele pude ver uma ultima vez aquele abraço. Voltei meus olhos para o salão ainda vazio. Que desperdício! Pensei novamente. Saí.


segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

ME Anarion

"Ela sabia que havia uma grande barreira entre sua compreenção e sua expressão, ela entendia muito e podia dizer pouco e, quase sempre, o que dizia era a coisa errada. Assim, ela viu a vida, estranha, morrer."

Ela era uma garota muito reservada, não falava com ninguém e não demonstrava sentir falta disso, não era grossa com as pessoas e não evitava os diálogos, mas tampouco os procurava.
Sempre aquela menina que ficava sentada em um canto sozinha sem parecer querer que alguém se aproximasse. Quase sempre com um livro no colo, o que intimida muito as pessoas, mas quando alguma delas quebra isso se faz apenas uma pergunta: - Porque eu não conheci essa garota antes?
Inteligente, simpática, encantadora ... simplesmente interessante. Ao conhecê-la todos se surpreendem cada vez mais. Mesmo não tendo o hábito frequente de conversar, quando ela fala todos escutam, há um mundo dentro dela que sempre nos faz querer conhecê-la melhor. Diferente das outras pessoas que perder o "brilho" depois de um certo tempo de convivência, ela atrai cada vez mais as pessoas pra perto de si, nunca perto demais, talvez por medo, mas provavelmente por um motivo que não sei explicar.
Suas atitudes são as que ninguém nunca espera, nem mesmo ela. Quando as coisas saem exatamente como ela sempre desejou que saissem, ela fica tão indiferente aos fatos que tudo simplesmente volta a ser como sempre foi.
Seu modo de encarar a vida é realmente muito interessante e contagiante, sua presença faz com que as pessoas queiram sempre saber mais, seja sobre ela ou sobre si mesmas, sua companhia desperta dentro de cada um desejos que a própria pessoa talvez desconhecesse ou houvesse esquecido há muito tempo.
Sempre transformando o mundo ao seu redor e sofrendo transformações, embora não parecesse, tudo a afetava, por mais que passasse a imagem de uma pessoa fria seus sentimentos eram vivos dentro dela, no entanto eram sempre mais propenssos a sofrer do que a sorrir.
Não creio que essa descrição tenha sido justa quanto ao que realmente ela é, e duvido que se passasse o dia todo revendo conseguiria dizer com mais precisão, mas a verdade é que ela conquista todos aqueles que dão a ela espaço para se mostrar, sempre se mostra cheia de surpresas e novidades, a convivência com ela faz com que cada um descubra nela o que jamais descobririam em si mesmos e é por isso que a agradeço, aprendi com ela o que a muito havia aprendido e esquecido comigo mesmo, espero tê-la por perto por muito tempo, duvido que seja tempo o suficiente para conhecê-la por completo, mas talvez eu posso me conhecer um pouco melhor enquanto isso. Obrigado! E nunca deixe de ser essa pessoa tão especial que você é. =D