sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Amizade...

                                  
Aquela que não me acompanhou por 14 anos um dia resolveu bater à minha porta. Não a reconheci, eramos estranhos uns aos outros, nunca tinha visto nada parecido e nunca pensei que seria de tamanha imensidão e importância. No início nos repelíamos muito, como se não fossemos nunca nos entender, como se eu não tivesse meios de alcançá-la. A invejei pois parecia tão feliz e despreocupada, como se minha presença, ou não, fizesse pouca diferença, o que era novidade para mim, não estava acostumado ser deixado de lado. Fiquei com raiva, pois cado novo contato tinha que ser iniciado por mim, fui obrigado a correr atrás como se não fosse desejado, mas sim desejasse sua companhia. Mas com o tempo, ah o tempo..., aprendi a lidar bem com ela e nos tornamos velhos conhecidos, quase com uma vida de histórias para contar sobre nossas aventuras juntos. É claro que não foi tão rápido e simples como as palavras descrevem, mas as palavras de pouco importam.
Aprendi mais em 2 meses do que em uma vida inteira. Não há palavras no mundo que satisfaçam a vontade que tenho de demonstrar minha gratidão pelas influências que recebi, fui tirado de uma realidade ridícula para aprender a olhar a vida de outra forma, nunca tinha me deparado com um pensamento tão simples e ao mesmo tempo tão fantástico.
Um era dono de uma sinceridade e tranquilidade jamais vista por mim em outras ocasiões. Aprendi a pensar, aprendi a questionar (da forma certa), aprendi ao que dar valor, fui apresentado à música, aprendi a viver!
O outro dono de um bom humor indescritível, sabendo a hora e o momento certo de usar as palavras a seu favor, fazendo todos ao seu redor rirem e se esquecerem de todo o resto.
Cada momento, cada bobagem, cada 'ah eh', cada 'ou não', cada discussão, cada trabalho perfeito, só serviu para nos unir cada vez mais... (não como a um casal gay, que isso fique bem claro rs).
Mas o tempo voltou a me atormentar, pois ele passou rápido demais e me privou de entender e retribuir isso antes de tomar de volta o que Deus tinha me mandado. Talvez por falta de merecimento, não sei dizer...
"Não encaro isso como um fim, mas um corte que o destino nos fez."
Ainda estou em choque com a profundidade das palavras que acabei de ler. Não sabia que as lágrimas podiam correr tão depressa, nem que podiam ser acompanhadas por risos. Mas não saber das coisas não tem sido novidade para mim ultimamente.
Palavras, palavras... são um grande consolo e boas para lembrar de momentos e pensamentos especiais. Mas não são o suficiente.
O que me resta é sofrer com cada objeto que coloco dentro das caixas que vão me separar de uma coisa que eu demorei 16 anos para conseguir.
Sei que não vou conseguir explicar o que eu quero, sei que não vou poder mostrar a importância de vocês na minha vida, mas eu sei que o papel que cada um exerce nela não acaba aqui, ainda temos muito o que viver juntos.
Que cada momento, cada riso, cada bobagem, cada noite não dormida fazendo trabalho rs, cada 'omopizzael', cada caso de poliomielite, fique gravado eternamente em nossas memórias e que um dia possam se repetir.
Que eu possa caminhar com vocês para o resto da vida, meus amigos. Meus irmãos!
Obrigado por me ensinarem tanto em tão pouco tempo, obrigado por terem paciência comigo, quando eu nos seus lugares talvez não tivesse, obrigado por me mostrarem o valor das coisas, por me fazerem me vestir de pantera e dançar pra 500 crianças, por me fazerem descobrir que quando não se dorme as pessoas ficam mais alegres, por me fazerem ver que dançar Lady Gaga te deixa popular na escola e obrigado por terem me mostrado como é uma verdadeira amizade. Conto com você para provar que ela pode sobreviver a distância e ao tempo, porque não importa onde eu esteja vocês vão estar comigo. Me aconselhando e me fazendo rir nos momentos mais difíceis como sempre fizeram...
É como diz aquele velho sabio: "As coisas são assim mesmo."... ehh...
Que eu viva pra poder ver meus netos puxando suas barbas e correndo... =')


domingo, 9 de novembro de 2014

Ignotus


Era noite. Fria e úmida como todas as noites deveriam ser. A rua ainda permanecia iluminada pelos postes de luz e pela luz branca da Lua que refletia sobre quase tudo, guiando por um caminho de prata os passos d'Ela sem um destino previamente traçado.
Uma lareira crepitava os últimos vestígios de seus troncos de madeira em uma sala vazia, uma sala realmente aconchegante, com cadeiras bem dispostas em torno do fogo e uma mesa também de madeira que raramente tinha todos os seus seis lugares preenchidos. Dividida por um batente sem porta a cozinha compartilhava uma das paredes da sala vazia, com uma janela grande, um relógio na parede, um fogão sempre limpo e outra mesa, mas essa possuía um de seus lugares ocupados.
Um homem de meia-idade, grisalho, com a barba ligeiramente crescida e expressão severa fumava seu cachimbo curvo enquanto olhava seu chá esfriar em cima da mesa. Ainda fumegava e com certeza o aqueceria. Por enquanto.
A expressão severa dava lugar ao sorriso e a um olhar preocupado, às vezes. Conduzido por seus pensamentos e lembranças fitou a sua xícara de chá por quase duas horas.
Depois desse longo período levantou e esticou os braços para o alto, o relógio na parede já havia marcado meia noite há muito. Quase 120 segundos!
-"É... Acho que está na hora."
Lembrou brevemente de seus irmãos e sua expressão se tornou completamente serena. Bebeu sua xícara de chá já fria e foi em direção ao corredor que o levaria ao andar de cima, subiu silenciosamente os degraus da escada com passos regulares e ao chegar ao topo viu duas portas fechadas. Fez menção de entrar na primeira, mas hesitou. Não. Ainda não. Empurrou a segunda porta com a maior delicadeza e descrição que lhe foi possível e adentrou ao cômodo.
Seu quarto.
Com a cortina aberta a Lua se mostrava majestosa pela janela, banhando a escrivaninha, as estantes e sua cama no mais fino e acolhedor lençol alvo. Andou vagarosamente até sua cama, admirando uma ultima vez cada detalhe daquele aposento, sentou-se ao lado daquela que ali dormia. Sorriu. Sem dúvida era a melhor visão que poderia desejar. Aquela pele branca e macia, os cabelos beijados pelas trevas, mas que sempre conservavam seu brilho, e seus lábios. Poderia ficar dias apenas tomando nota das sutilezas de seus traços, mas os lábios sempre o tinham fascinado de forma inexplicável. Fechou seus olhos e viu com clareza o sorriso que daqueles lábios emanava. Abriu os olhos novamente e percebeu que eram seus os lábios que sorriam, úmidos e salgados. Inclinou a cabeça vagarosamente e beijou-lhe a testa. Queria abraçá-la. Acordá-la e segurá-la tão forte quanto conseguisse. Mas não havia para onde fugir, e já tinha tomado sua decisão.
Fitou mais uma vez seu rosto, deslisando os dedos por seus cabelos, acariciou seu braço descoberto e levantou-se.
Caminhou até a primeira porta novamente e dessa vez não hesitou, entrou e viu uma paisagem parecida com a do quarto anterior, mas agora era uma criança que estava deitada na cama. Completamente vencida pelo sono após um longo dia de brincadeiras. Tinha por volta de doze anos, talvez mais. Mas ainda guardava todas suas qualidades de criança. Tinha cabelos negros também e estes sempre desajeitados. Estava virado para o lado da parede e dormia tão profundamente que seria um crime incomodá-lo.
Sentou-se e contemplou-o por alguns instantes. Sabia que ali estava um futuro grande homem. Teria olhado em seus olhos e desejado boa sorte orgulhosamente caso tivesse a oportunidade. Tirou de seu bolso uma carta escrita há muito tempo e a depositou cuidadosamente sobre a cabeceira da cama e então levantou-se. Despiu sua capa que o acompanhara durante anos e dobrou-a cuidadosamente, deixando-a ao lado da carta. Acariciou os cabelos negros do garoto e levantou-se. Quanto tempo ainda tenho?
No instante seguinte a campainha tocou e trouxe a resposta consigo, aumentando o frio que o acompanhava enquanto saía do quarto voltando-se para a escada para retornar ao nível anterior. Antes de descer voltou novamente para entre as duas portas, olhou dentro de cada uma e quis de alguma forma tirar todo carinho, amor e gratidão que carregava dentro de si. Só para mostrá-los. Para que guardassem tal memória.
A campainha tocou pela segunda vez e soube que já estava atrasado, desceu as escadas e caminhou firmemente em direção a porta de entrada da casa, desviando de todos os objetos em seu caminho.
A campainha tocou pela terceira vez exatamente no momento em que a porta foi aberta, trazendo todo o frio que a noite possuía. E lá estava Ela. Sua velha amiga, impaciente, que vagara pelas noites sem destino por anos a fio. Tinha uma expressão satisfeita e conformada, como quem sorri após ter sido carinhosamente enganada em um truque de mágica, tinha perguntas a fazer e conversas para terminar, mas viu a satisfação e orgulho que mantinham seu lugar no rosto do homem que ainda sorria e nenhum dos dois disse nada, apenas se abraçaram. E caminharam juntos noite adentro.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Breve Devaneio



 - Hey! Acorda! - disse uma voz que parecia muito distante. - Acorda logo, vai.
Abriu timidamente os olhos e olhou ao redor. Levantou-se de um salto, sabia que estava atrasado mesmo sem saber as horas, pegou o celular, digitou qualquer coisa, esticou os lençóis por cima da cama, vestiu-se e saiu rumo ao banheiro para escovar os dentes.
 - Levantou, é? - disse o outro rindo, mas com o rosto ainda marcado fortemente pelo sono.
Sorriu de volta enquanto escovava os dentes e acertava a posição da mochila em suas costas.
-Hey! Vamos! O ônibus já está voltando, cara.
-Espera aí, já estou indo.
Terminou de escovar os dentes, lavou rapidamente a escova e correu para a porta desviando de dois cachorros que definitivamente estavam mais acordados que ele.
O céu estava nublado, estava sempre nublado nessa época do ano, pintado de cinza com mechas azuis esperando o Sol perder a timidez e aparecer para colorir a vista. 
Olhou para a esquina mais próxima e viu o ônibus parado esperando. Fechou a porta, guardou a chave no bolso e desceu apressado, entrou e conseguiu pegar um lugar com janela. Abriu-a o máximo possível, esperou ansiosamente o ônibus acelerar e então sentiu aquele ar gélido que gritava "seis da manhã" e "quatro horas de sono" cortar sua face. O frio era realmente desconfortável, mas era o jeito mais simples e infalível para não dormir novamente. 
O celular agora em seu colo cantava... Algo sobre o inverno, florestas e anseios... Mas só o que era ouvido eram cordas, notas e esperanças. Ainda em seu colo os contos de Valinor e Númenor detinham sua atenção. E aquele cheiro. Ah! O cheiro era a melhor parte. 
E enquanto as vencia o vento, as páginas e os agudos de uma soprano se movia em direção a sinos e orvalhos.


sexta-feira, 21 de março de 2014


[...]
Encha seu coração vazio com sonhos
Abra suas asas
Se você colorir seu coração com o vento que sopra
Você vai seguir em frente 
[...]

segunda-feira, 22 de abril de 2013

voz...



Cada vez mais me escondo em risos e conversas vazias... Em páginas e em 'tons' que não pertencem... Qualquer passatempo 'divertido' que ajude a não pensar... Pensar... Assusta... Traz lembranças, conclusões, dores, incertezas e tristeza... Talvez não pensando eu consiga fugir desse antigo eu que tanto me persegue...
Um 'eu' que pensa atrapalharia as coisas...
Mas mesmo assim... Mesmo me camuflando em minhas próprias distrações para tentar não voltar a ser ... Ainda acabo por me pegar as vezes imaginando... Será que ela ainda existe?
Aquela palavra que escrevi naquele pequeno pedaço de papel branco... A única das palavras de todas que minha caligrafia corrida criou que foi dita: bonita. Ela ainda possui significado?
Poderia ela trazer de volta minhas doces noites de sono? A vontade... o querer... A segurança...
Será que essas palavras que venho expressando agora ainda são o sinal que me foi pedido?
Não sei do que se trata... Apenas gostaria de poder compartilhar a lua que antes me confortava e agora queima minha pele... 
Talvez assim eu parasse de dar voltas em torno de mim mesmo tentando achar algo que sei já não existir mais... 













segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Falta...

Roubaram meu 'boas', agora só tenho noites... E quando consigo dormir é por exaustão... Não sei o que me tornei, mas restou um pouco de sanidade para eu não confiar por completo no que há por sob o capuz.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Crônicas de um Sol...

O dia estava abafado... Cada pedalada parecia fazer escorrer um litro de suor pelo seu rosto.
Não, definitivamente o calor não o agradava... O frio também não o agradava, mas ainda sim era mais bem vindo que o calor...
Um dia diferente dos outros, por pequenos detalhes, é claro, afinal, não é sempre que se tem uma bicicleta para ir almoçar. Mas o almoço era curto, encurtado ainda mais neste dia pelo tempo gasto em uma ótica qualquer (havia quase 11 meses que uma das borrachas fixadas no centro de seus óculos tinha sido 'acidentalmente' jogada fora por seu tio, relembrar a situação o trazia a memória uma velha e forte dor no pescoço que tinha o perturbado naquela semana, mas finalmente tomou providências a respeito e deixou o óculos quando saiu do trabalho e passaria na volta buscá-lo). Saiu de casa 5 minutos mais cedo do que o de costume e pedalou até a ótica, o dinheiro contado nos bolsos para pagar pelos serviços prestados ao seu companheiro de rotina diária.
Pedalou mais rápido, a brisa batia em seu rosto refrescando um pouco sua pele quente pelos raios de Sol, Ah sim... O Sol... Seu homônimo... Passou por um restaurante, uma fábrica, uma bifurcação, por dezenas de pessoas estranhas e chegou uma esquina antes do morro que levava à ótica.
Era ali, que há algum tempo atrás, morara um amigo... Naquela rua, não muito movimentada, em uma casa alta, laranja e com portas balcão que davam para uma varando muito agradável.
- "Porque não?"
Virou e subiu a rua. Havia poucas casas, logo chegou a que queria olhar... Fazia tanto tempo que não a via... Estava exatamente igual... Apenas o cheiro e o barulho cotidiano a haviam abandonado...
Uma pontada fisgou seu peito e sentiu... O que aconteceria se apertasse a campainha? Que aparência teria o novo inquilino? Lembrava claramente de quando podia caminhar pelos corredores daquela casa com boa companhia... A geladeira sempre cheia de coisas desnecessárias, os sofás sempre brancos e sempre precisando ser limpos, o assoalho de madeira escura que riscava mais fácil do que deveria, o quarto vazio,  o espaço, os pensamentos... Estava tudo ali...
Não... Ele não está mais ali... Não adianta ficar olhando... Ele não vai voltar... Não assim...
Subiu o morro no fim da rua e deu uma ultima olhada na casa...
- "Meu caro amigo, peço perdão pelo rumo que deixei as coisas tomarem... Tu sabes... Só tu sabes como meus olhos se entristecem quando penso em ti... Se não for pedir muito, volte logo... Agora sou apenas um jovem velho chato e rabugento... Esqueci de como era tentar ser sempre melhor... A vida pouco a pouco me distanciou de minhas memórias e de ti... Se não for tarde, volte... E traga o que esqueci com você..."
Dedicou essas palavras no alto do morro... Não muito confiante... Mas, perdera 6 minutos! Chegaria atrasado.
Pedalou novamente e chegou à ótica. Pagou pelos seus óculos, surpreendentemente achou o serviço muito melhor do que o esperado e digno de uma remuneração maior, não fosse pelas lentes que voltaram cheias de digitais do funcionário que o manuseou.
Pedalou mais uma vez e chegou ao seu trabalho...
- "Opa."
-"I ae..."
Sentou em sua cadeira e ali ficou, até a hora de ir embora... E assim nos dias que se seguiram... Acompanhando as aventuras de pirata determinado ou de um ninja buscando reconhecimento passaria seus dias... Impacientemente...