terça-feira, 7 de outubro de 2014

Breve Devaneio



 - Hey! Acorda! - disse uma voz que parecia muito distante. - Acorda logo, vai.
Abriu timidamente os olhos e olhou ao redor. Levantou-se de um salto, sabia que estava atrasado mesmo sem saber as horas, pegou o celular, digitou qualquer coisa, esticou os lençóis por cima da cama, vestiu-se e saiu rumo ao banheiro para escovar os dentes.
 - Levantou, é? - disse o outro rindo, mas com o rosto ainda marcado fortemente pelo sono.
Sorriu de volta enquanto escovava os dentes e acertava a posição da mochila em suas costas.
-Hey! Vamos! O ônibus já está voltando, cara.
-Espera aí, já estou indo.
Terminou de escovar os dentes, lavou rapidamente a escova e correu para a porta desviando de dois cachorros que definitivamente estavam mais acordados que ele.
O céu estava nublado, estava sempre nublado nessa época do ano, pintado de cinza com mechas azuis esperando o Sol perder a timidez e aparecer para colorir a vista. 
Olhou para a esquina mais próxima e viu o ônibus parado esperando. Fechou a porta, guardou a chave no bolso e desceu apressado, entrou e conseguiu pegar um lugar com janela. Abriu-a o máximo possível, esperou ansiosamente o ônibus acelerar e então sentiu aquele ar gélido que gritava "seis da manhã" e "quatro horas de sono" cortar sua face. O frio era realmente desconfortável, mas era o jeito mais simples e infalível para não dormir novamente. 
O celular agora em seu colo cantava... Algo sobre o inverno, florestas e anseios... Mas só o que era ouvido eram cordas, notas e esperanças. Ainda em seu colo os contos de Valinor e Númenor detinham sua atenção. E aquele cheiro. Ah! O cheiro era a melhor parte. 
E enquanto as vencia o vento, as páginas e os agudos de uma soprano se movia em direção a sinos e orvalhos.